quarta-feira, 28 de maio de 2014

Direito ao Aborto

      Não foi fácil escolher o tema da minha primeira postagem, pensei em começar com alguma coisa mais tranquila ou que não rendesse tanta polêmica, mas decidi então por um assunto que talvez seja um dos que mais causam "auê". O direito ao aborto, acho que todo mundo já deve ter lido em algum lugar que é direito da mulher decidir sobre o que fazer com o corpo dela, e por mais que isso pareça óbvio, ainda temos que reafirmar todas as vezes que entramos em assuntos como esse.
      Mais do que dizer que o corpo é um bem particular e cujo direito é inviolável, gostaria de desconstruir alguns julgamentos que temos e que tapam nossos olhos. Há alguns anos me mostraram um vídeo (quase nada apelativo) contando sobre a vida de um feto, isso mesmo, desde sua fecundação até o dia em que foi abortado, no vídeo o feto tinha uma espécie de "raciocínio" que é praticamente impossível que exista em um feto, só que na época eu não tinha a formação feminista que tenho hoje, e me sensibilizei completamente com o apelo, me lembro de que no final a suposta "consciência" do feto perguntava o porquê de sua mãe ter feito aquilo e dizia: "eu poderia ter te dado tantas alegrias." Essa palavra "poderia" ficou ecoando na minha cabeça durante um bom tempo. Nunca fiz um aborto, nunca passei por nada nem se quer parecido, não me sinto no direito de falar como se sente uma mulher que tenha passado por isso, mas de todas as dores que ela tenha, acredito que uma das maiores é justamente causada por essa palavra "poderia". Ela "poderia" ter se protegido, ou "poderia" não ter sido violentada, ou "poderia" ter escolhido continuar com a gravidez, mas não foi nada disso que aconteceu, e esse pensamento só causa mais dor e trauma.
      Ninguém jamais defendeu que o aborto seja uma coisa boa, a mulher sofre fisicamente e psicologicamente, tem a sua vida completamente amargada, se expõe ao risco de morte, é julgada por todos como um monstro sem coração, mas mesmo assim sustenta a sua decisão por simplesmente ser um decisão dela, única e exclusivamente dela! E só conseguimos entender isso quando fechamos os olhos pra cultura da sociedade e começamos de fato a humanizar as pessoas, a dar nomes a grande massa de mulheres aborteiras, às vivas e às mortas. Damos nomes as 68 mil mulheres mortas por ano, damos sentimentos aos seus nomes e conseguimos de fato entender que não é uma decisão fácil, e justamente por isso esse direito deve ser garantido, e além de garantir o direito também seria necessário fornecer auxilio psicológico às mulheres que optam por interromper uma gravidez. Entendemos que não é uma questão de "poderia". Entendemos que direito à vida, não é só pregar que o aborto é um assassinato ou que é uma coisa horrível, direito à vida é proteger as mulheres que precisam de apoio nesse momento tão delicado.
      68 mil mulheres perdem o seu direito à vida em abortos clandestinos todos os anos. Mulheres que optaram por isso, ou talvez não tiveram outra escolha. O curioso é que os mesmos que pregam o "direito à vida" também esquecem que depois que nasce a criança precisa de cuidado, de condições dignas, de direitos garantidos, de amor e de todo um aparato social para crescer de maneira saudável e sem traumas. O que na grande maioria das vezes não acontece com os filhos de mulheres que seguem adiante uma gravidez indesejada. Um exemplo disso é que a maior causa de depressão pós-parto se dá porque a mulher não se sente preparada, ou não sente aquele choque de amor incondicional que estamos acostumados a acreditar que exista. Pois é, não, ele não existe em todas as mulheres. Somos diferentes umas das outras, até mesmo na forma de amar. Não é um fascínio natural da mulher ser mãe, essa ideia foi construída numa época onde 'mais pessoas' significava 'mais soldados numa guerra'. A sociedade manipula até os nossos sentimentos, você vê que coisa? E aí surge o feminismo dizendo que não, não precisamos ser mães para sermos "mulheres completas" ou "efetivamente felizes", ser mãe é uma escolha, e todo aquele mar de dúvidas desaparece, talvez se as mulheres (ou todxs nós) seguissem suas próprias escolhas, ignorando o querer socialmente construído, teríamos menos stress e depressão no mundo.
      O aborto não é uma coisa legal, mas é uma escolha, e como toda escolha pessoal deve ser respeitada e garantida. Legalizar o aborto não vai aumentar o número de mulheres aborteiras, quem faz essa escolha vai seguir com ela sendo ilegal ou não, legalizar só garante que isso seja feito com segurança o que por sua vez diminui o número de mortes. Ser feminista não é ser a favor do aborto, é ser a favor do direito de escolha de cada um sobre seu próprio corpo, seja a escolha qual for.
                                                                              Por olhos feministas

terça-feira, 27 de maio de 2014

Tudo muda quando o seu olhar muda!

Bom, há algum tempo eu venho pensando em escrever sobre as coisas e sobre a minha nova concepção das coisas. A primeira lição de todas que eu quero deixar cravada pra posteridade aqui é que: O FEMINISMO É LIBERTADOR! É maravilhoso se desprender das amarras que te travam e te impedem de enxergar o mundo com os olhos completamente diferentes dos que você possuía antes de conhecer o feminismo. Digo isso porque há alguns bons três anos, venho estudando sobre essa ideologia que na realidade não é tão surreal quanto parece, por mais enraizado que o machismo esteja, na teoria a maioria das pessoas realmente acreditam na ideia radical de que mulheres são gente! (hahahaha) Partindo então desse pressuposto, eu convido todos vocês a compartilharem das minhas antigas e novas descobertas como feminista, com a singularidade de um par de olhos que são só meus, mas que pretendem mudar pra melhor a vida de um bocado de pessoas. Gabriella